Tuesday, January 23, 2007

Estou lendo...

Uma Longa Queda, Nick Hornby, 2005

Sempre lembrado por ter escrito os romances “Alta Fidelidade” e “Um Grande Garoto” e inspirado os filmes de mesmo nome, estrelados por John Cusack e Hugh Grant, respectivamente, Nick Hornby conquistou definitivamente seu lugar na minha prateleira preferida.

O escritor inglês, ora muitíssimo respeitado pelas questões que levanta, ora importunado pela crítica que o vê como um autor de auto-ajuda, é conhecido por escrever sobre o comportamento masculino, no tocante às paixões esportivas, à convivência entre pais e filhos, à carreira e à vida amorosa. Seus personagens sofrem sempre algum tipo de conflito, que acaba por levar aos leitores uma mensagem positiva, mostrando como é possível conviver com seus problemas.

Aqui, o universo masculino deixa de ser o centro das atenções para dar lugar a discussões de todos os tipos, sexos e idades. A história é contada simultaneamente pelos quatro protagonistas da situação que os uniu no início da narrativa: todos estavam prestes a suicidar-se, no alto de um prédio em Londres. Todos pareciam ter razões suficientes para tirar a própria vida e, a princípio, é o que vai acontecer no decorrer do livro. Ou não.

Cheio de surpresas, desde as suas primeiras páginas, o livro traz o que Hornby sabe fazer melhor, na minha opinião: retratar a verdade sobre a natureza humana, sob perspectivas melancólicas, porém divertidas. Não são personagens profundos, à luz de olhares filosóficos - e tão pouco sentimos falta disso. São pessoas comuns (tudo bem, talvez um pouco perturbadas psicologicamente) contando sobre si e analisando os demais, de acordo com sua consciência, seu meio ambiente e suas crenças.

Estou torcendo para que as últimas páginas fiquem ainda melhores. Mas já valeu pelos diálogos e reflexões que me levaram às gargalhadas. Ok, ok, admito que eu dou risada de quase tudo...

Semelhança entre Nick Hornby e esta blogger: tudo começou com minha obsessão por listas, por ordenar coisas - ou melhor, quase todas as coisas que tenho pela frente (veja as listas até o fim desta página). O autor, dono de mesma mania, confessa nada sutilmente a sua imbecilidade em “Alta Fidelidade” (leia o livro e veja o filme roteirizado e estrelado por John Cusack).

Monday, January 22, 2007

Adivinhe quem eu queria ser...

Se Spike Jonze e Charlie Kaufmann queriam ser John Malkovich, porque eu não poderia querer ser a PJ Harvey?

Com certeza, alguma mente suja vai pensar “A Ju tá querendo ficar magra igual aquela lá!”. Não é nada disso, apesar de já ter sido comprovado que toda mulher gostaria de perder, pelo menos, dois quilos. O caso aqui é uma admiração profissional e não meramente estética.

Eu sempre gostei de música e até já me arrisquei a cantar. Pelo que se pode observar, a idéia não deu muito certo, mas quando se é teimosa como eu, precisa-se de mais que um sinal divino para entender o que o destino (não) nos reserva. Hoje, eu me lembro perfeitamente das incontáveis vezes em que pedi um violão aos meus pais e na primeira semana com o tão esperado presente na mão, eu percebi que não levava o menor jeito para dedilhar e compreender como é que se extraia um som daquilo.

Hoje, eu limito-me a apreciar e bailar ao som das pessoas escolhidas por Ele para cuidar deste assunto, embora ainda existam muitos fulanos com a mesma obsessão que eu já tive e que continuam insistindo, para a nossa tristeza.

Polly Jean Harvey, a famosa PJ é a queridinha dos indies por seu estilo moderno, despojado e, ainda assim, ultrafeminino. As pessoas costumam estranhar quando dão de cara comigo (e minha cara de patricinha) e me ouvem dizer que gosto do tal movimento independente ou alternativo. Sim, código genético não tem nada a ver com gosto musical e eu sou fã dos mais pioneiros no estilo, como Beck, Pavement e Radiohead.

Bem, voltando à frase que deu início a este texto, digo que gosto muito do trabalho desta grande cantora e compositora inglesa e queria ser exatamente como ela se tivesse uma chance de dar certo na música: uma grande instrumentista, que aprendeu a tocar saxofone, guitarra, piano e, não bastasse tudo isso, cultivou uma linda (e forte) voz e uma admirável escrita. PJ consegue ser uma roqueira, sem ser vulgar. Pelo contrário, ela é competente e muito chic, do tipo que passa batom, se olha no espelho e corre trabalhar.

Está rolando nestes dias no meu som um de seus últimos álbuns, “Stories from the city, Stories from the sea”, de 2.000, um dos que mais gosto – e que também teve a participação de Thom Yorke (Radiohead). Depois foram lançados “Uh Huh Her”, 2.004, e The Peel Sessions 1991-2004 (2.006). Uma das últimas e mais agradáveis coisas que ouvi da boca da moçoila foi a sua participação no álbum solo de Mark Lannegan (QOTSA), “Bubblegum”, em 2.005. Juntos eles formaram um dueto muito sexy e nervoso. Ou melhor, explosivo.

Desde de novembro passado, PJ está em estúdio compondo seu oitavo disco, ainda sem nome definido. Como a sua contribuição para o cenário musical é sempre muito rica, tenho certeza de que não demorará a sair um grande álbum. E eu vou comprar e dublar a minha ídola em frente ao espelho.

Friday, January 12, 2007

Corra que ainda dá tempo


Para os retardatários, vale a pena dar uma corridinha e conferir o emocionante C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor, de Jean-Marc Valleé, que ainda está em exibição no HSBC Belas Artes e na Sala UOL de Cinema.

Tenho tentado assistir a este filme há mais ou menos uns dois meses, mas com a obrigação de me dividir entre tantos happy hours, festas e compras de fim-de-ano, pouco tempo sobrou para as idas ao cinema que, só agora, tenho colocado em dia.

Mas foi bom não ter esquecido e ter feito uma forcinha para ver uma das últimas exibições desta linda e bem produzida película.

O modo como é retratado o amor da família Beaulieu, formada pelo pai trabalhador e conservador, pela mãe coruja e sensitiva e por cinco (bem diferentes) filhos homens pode parecer uma fórmula já conhecida das telas, mas que, ainda assim, conseguiu encontrar nos pequenos detalhes a reprodução perfeita da convivência familiar.

Estes pequenos detalhes – muitos, engraçados, já outros, um pouco tristes, que até nos fazem lembrar de desafetos antigos com entes queridos – somados ao inquietante roteiro e a grande atuação do elenco, faz com que os melhores sentimentos sejam despertados em nossos corações, assim como as esperanças de ver um final feliz também. Afinal, problemas podem acontecer não só nas melhores famílias e, sim, em qualquer uma.

A história tem início no Natal de 1960, com o nascimento de Zac (Zachary), quarto filho do casal, que sobrevive após um parto sofrido e com diagnóstico nada otimista. Desde então, ele é tratado pela mãe (e depois por toda a família) como um menino sensível, com dons especiais.

O pai, Gervais, que sempre estufa o peito para falar das qualidades de seus filhos e sempre credita a si o gene que as originou, é carinhoso, mas também exigente e não admite quando começa a perceber algumas particularidades no comportamento de Zac desde a infância.

Aliás, é preciso abrir aqui um parágrafo para falar de um traço marcante da personalidade do pai que acabou por ilustrar e contextualizar toda a narrativa. O chefe da família é um apaixonado por música, que sempre viu Zac como seu seguidor e o incentivava com presentes como violão, guitarra e bateria, na tentativa de torná-lo um grande músico. A começar pela cantora preferida de Gervais, Patsy Cline, passando por todos os Natais da família em que ele interpretava Charles Aznavour (muito divertido), o filme é repleto de referências aos principais artistas que lideraram aquela época, como David Bowie, e que inspiravam o garoto Zac – este sempre muito bem vestido a caráter. Confesso que o momento em que ele canta em alto e bom som “Space Odity” (com direito à maquiagem de Alladin Sane) me emocionou muito.

De fato, o garoto mostra-se diferente dos outros irmãos no tocante à sua sexualidade (Bowie provavelmente ajudou a confundir a cabeça do jovem) e ele próprio começa a notar que sua atitude incomoda o pai e os irmãos. Para “curar-se” e tentar ser como os outros, ele desafia-se durante toda a sua vida e só aprende a assumir-se e fazer aceitar-se já adulto, depois de uma mística viagem à Jerusalém (lugar que sua mãe, muito religiosa, sempre sonhou conhecer) e da morte de um de seus irmãos mais velhos, por overdose. Raymond era este irmão, com quem Zac nunca se deu bem.

Enfim, o filme traz à tona toda a verdade sobre a vida familiar, porém, de forma muito delicada e instrutiva. Um bom (e leve) guia para pais e filhos enfrentarem o conflito entre suas gerações.

Espero não ter revelado muito do filme, apenas o suficiente para deixar-lhe com vontade de correr para a próxima sessão. Não esqueça a pipoca!

Wednesday, January 10, 2007

Eu sabia que ia dar nisso


A pulguinha que mora atrás da minha orelha está saltitante. Isso porque está me custando acreditar na novidade da programação da MTV Brasil, divulgada recentemente.

No entanto, parece até que eu tinha feito algum workshop de previsões com a Mãe Dinah, quando dizia que alguma coisa não andava bem na MTV.

E não me refiro ao aspecto financeiro - porque estou certa de que o bolso do canal vai muito bem, com a verba publicitária dos anunciantes para o público jovem cada vez maior – e, sim, ao seu novo posicionamento, que contraria sua própria origem.

Um passo por vez, a nova proposta da emissora no Brasil é exibir em breve programas dos mais variados assuntos ligados ao universo jovem, excluindo de qualquer horário e atração a modalidade videoclipe (inclusive o famoso top dos mais pedidos de todos os dias). Este, sim, já poder ser visto na web, através do portal MTVOverdrive, onde também estão disponíveis notícias, entrevistas, a programação da emissora, além de vídeos feitos pelos próprios internautas.

A justificativa para tal iniciativa é baseada no interesse do público jovem em diversas formas de entretenimento, que não se limitam apenas aos videoclipes, hoje, muito facilmente vistos em sites como Youtube, MySpace, entre outros.

E assim, a minha geração, que foi adolescente e tornou-se adulta, sempre aficcionada por MTV, seu formato inovador e sua linguagem descolada - exatamente como todo jovem gostaria que fosse – continua a acompanhar com um pouco de frustração as transformações do canal. Além da emigração, nos últimos anos, de bons apresentadores – os pioneiros na desejada profissão de VJ - que muito entendiam sobre música e sempre agregavam muita credibilidade à emissora, agora também vemos uma programação fraca, sem propósito e conteúdo (bem parecida com a que estamos acostumados a ver nos canais abertos) e que parece não querer mais a companhia dos maiores de 20 anos. Para piorar tudo, não teremos mais nem um clipezinho, nenhuma música de nossa banda preferida para assistirmos quando chegarmos em casa cansados.

A MTV sempre foi um canal à frente de todos os outros na televisão brasileira, a começar por sua postura direta e incisiva diante de questões como política, sexo, drogas e por sua liberdade para falar aos jovens, o que e como quiser. Obviamente, não poderia ser diferente no tocante à tecnologia e suas inúmeras possibilidades. A MTV estaria na frente da mesma maneira.

Sim, os jovens, principalmente, passam muito mais tempo, diante do computador, como também utilizando o MSN e falando ao celular. E este número só ira aumentar.
Sim, qualquer pessoa pode fazer um vídeo de um show com seu aparelho celular ou câmera digital e enviar para amigos em qualquer parte do mundo.

Mas pôr fim à exibição do videoclipe é minimizar a sua capacidade de entretenimento e desvalorizar o trabalho criativo de bandas e todos os outros profissionais envolvidos. O bom videoclipe é emocionante, inspirador e aproxima o artista de seus fãs. Do contrário grandes diretores de cinema como Spike Jonze, Tim Burton e Fernando Meirelles nunca teriam “perdido” seu tempo e criado excelentes filmes.

Que o futuro de tudo será a internet, por meio da convergência dos meios, todos sabemos. Como se pode acompanhar nos últimos dias, a Apple acaba de lançar o iPhone, um celular que funciona como reprodutor de música digital, tira e armazena fotos e acessa a Internet sem a utilização de fios. E mesmo o que Steve Jobs lançou já não era grande surpresa. O mundo da tecnologia e seus apaixonados contavam os dias para isso acontecer. Entretanto, a decisão não pode ser tomada da maneira mais simplista, pois no Brasil (primeiro local onde a MTV apresenta tal iniciativa) a inclusão digital ainda está bem distante de ser concluída.

Ao meu ver, o que a MTV está propondo não é a multiplicação da informação, nem das opções de escolha para se ver ou assistir música. É sim, a exclusão de uma parcela de seu público (até então fiel) e também um pouco de descaso com os artistas que fizeram a sua audiência crescer durante todos os seus anos de vida.

É por isso que eu vou mandar a minha pulga sentar e esperar para ver.

Friday, January 05, 2007

De caso com Franz Ferdinand

À primeira vista não houve quase afinidade alguma com esta banda formada por quatro escoceses aparentemente bem comportados e bem penteados, que diziam tocar rock para as meninas dançarem.

Há muito tempo um amigo meu, que morou em Londres, falava sobre esta banda, que ele dizia adorar e sobre a qual passava horas contando sobre o show deles que teve a oportunidade de ver na gringolândia. Mesmo assim, nunca me interessava muito. Tudo bem, “Take me Out” até atraia minha atenção para frente da TV, quando despejava seus primeiros acordes. Eu pensava comigo: será a nova dos Strokes?

De fato é bem inspirado na banda americana, mas agora, vendo com outros olhos, ou melhor, ouvindo com outros ouvidos, tem seu estilo próprio. A verdade é que os Strokes inauguraram uma nova geração do rock e tudo o que surge desde então provoca dúvidas.

Mas eu também sei admitir quando estou errada ou quando fiz mau juízo de algo que está tentando propor novos caminhos. Para mim, o Franz é sim inspirado – ou parecido – com muitas coisas, contudo, é também cheio de personalidade e ousadia, de fato, uma ótima banda. Talvez, só um pouco exagerada no quesito “fofa”.

O que quero dizer, enfim, é que nesta semana estou um tanto quanto apaixonada pelas músicas da banda. Bem naquela fase romântica, em que não se enjoa, não se desagrada, tudo é lindo, muito legal e por isso tenho ouvido constantemente e compulsivamente. Não sei se isso também acontece com você, mas eu tenho fases para ouvir cada música. Quando não encontro o som do momento, chego a trocar de álbuns três ou quatro vezes até encontrar a batida apropriada.

Voltando ao FF, alguém já te emprestou uma frase melhor que: “I love the sound of you walking away” para mandar uma pessoa embora de vez da sua vida? Para mim é perfeita! Calma, não estou com raiva de ninguém, ok?

Ou então, “Well I wasn’t down, I just wasn’t smiling at you”, quando alguém fica te aporrinhando para saber o que está acontecendo ou simplesmente não quer enxergar.

São músicas cheias de citações perdidas e sentimentos confusos, que carregam, porém, ótimas comparações, insultos inteligentes e frases que parecem sempre dar uma piscadela para gente. Espera aí, mas quem disse que precisa fazer algum sentido? Eddier Vedder sempre afirma que as canções do Pearl Jam não dizem absolutamente nada!

É isso. Estou na minha semana Franz Ferdinand e se bobear eu até ligo o som de casa e danço sozinha, tá?! E daí?

Wednesday, January 03, 2007

Minha vida musical em 2006

É difícil fugir da tradição de querer eleger os melhores de cada ano que se encerra. Para mim, principalmente, por adorar listinhas de tudo.
Entretanto, fica sempre tudo muito parecido, porque as coisas boas costumam sofrer de unanimidade e, não acrescentaria muito qualquer coisa que eu escrevesse, sendo uma simples mortal e fã de música, contrariando ou somente concordando com os pós-graduados no assunto.
Por isso, relato abaixo algumas de minhas experiências musicais em 2006, que foram melhores que as do ano anterior e que, sob muita torcida, figas e trevos de quatro folhas, cederão espaço para que as deste promissor ano que começa sejam ainda mais satisfatórias.

Show histórico
Foram muitos os shows internacionais que neste ano me deram o prazer de estar mais próxima ao que de melhor existe mundo afora. Apesar dos ingressos caros, das filas intermináveis e de todo o trâmite - para não dizer sacanagem - que rola nos bastidores do show business, foi bom esgotar minhas cordas vocais com o U2, Franz Ferdinand, Oasis, Jamiroquai, New Order, apesar de ter perdido os Beastie Boys, o B.B. King e o The Cult. Meu melhor presente, porém, foi dado por Mick Jagger e Sir Keith Richards, nas areias de Copacabana: um show histórico, que reuniu mais de um milhão de enlouquecidos, na praia mais famosa do Brasil para ver a banda mais importante – e viva – do mundo. Sensacional.

Batucada fina
2006 também foi o ano das bandas nacionais ganharem fãs no Brasil e no mundo, como os queridinhos do Cansei de Ser Sexy, Forgotten Boys e Bonde do Rolé. Dos shows que pude assistir, o do Nação Zumbi mais uma vez não decepcionou. No som de casa ou ao vivo, Jorge du Peixe e Lucio Maia continuam liderando a melhor banda brasileira da atualidade. Chego a me emocionar todas as vezes que ouço aquela percussão extremamente sintonizada com as guitarras. Coisa muito fina!

Onde investi tempo e dinheiro
Comprei muitos vinis e CDs neste ano que passou e ainda bem que a tecnologia sempre dá uma forcinha para quem está no vermelho como eu, pois assim, pude ouvir muita coisa nova nos iTunes alheios também.
Virei o último ano ouvindo os novos álbuns de Strokes e Oasis e depois parti para Pearl Jam, Audioslave, Racounters, Franz Ferdinand, She Wants Revenge, Band Of Horses e Bob Dylan.
Mas se alguma banda puder ser comparada às bebidas que incorporam mais sabor e melhoram com o tempo, esta seria o Red Hot Chilli Peppers. É impressionante ver como o grupo da Califórnia, que nasceu há quase 20 anos do funkmetal, consegue fazer rock’n roll de qualidade, caindo no gosto popular, sem contudo perder a personalidade e a pegada rebelde. Depois dos últimos quatro anos dominados por bandas jovens, Anthony Kieds, Flea, Chad Smith e John Frusciante, brindaram sua maturidade com 28 novas músicas.
E, por fim, iniciei 2007 com o pé direito, ouvindo o novo som do Beck que, aliás deveria adotar o sobrenome “Gênio da Silva”, tamanha a sua admiração pela nossa música e sua incansável capacidade criadora.

Minha queridinha
A música que quase estourou meus tímpanos foi a “You Only Live Once”, dos Strokes. Fazia tempo que não via uma mesma banda colocar tantos hits na boca de uma mesma geração, tendo em vista as tantas opções que se tem hoje. A turma de Julio Casablancas consolidou e amadureceu seu estilo, provando e reafirmando que não veio ao mundo para ser uma banda de uma música só. Tomara que “Stead As She Goes”, dos Racounters, e “Crazy”, de Gnarls Barkley, tenham a mesma sorte que “Last Night”.

Foi bom ver
Deu orgulho ver todo mundo requebrando nas pistas de dança ao som de uma das músicas brasileiras mais legais e mais conhecidas mundialmente, “Mas Que Nada” (Jorge Ben), na mixagem do Black Eyed Peas, para a versão de Sergio Mendes. O brazuca, sempre diminuído pela crítica, até voltou aos palcos depois de três décadas.

Leitura recomendada
Reações Psicóticas, de Lester Bangs (1949-1982), reúne alguns dos melhores críticos desse que é considerado por muitos o maior crítico de rock de todos os tempos. Vale a pena pelos “causos” contados e pelo estilo de escrita que até hoje influencia gerações de jornalistas.

Onde eu dancei rock
Sábado, no Milo’s Garage, foi a opção que mais escolhi para dançar e cantarolar o meu setlist predileto. O DJ é o mais saltitante e animado que já vi em horário de expediente. O único porém é que a noite ficou tão disputada que a pequena balada lotava antes mesmo da meia-noite e deixava muita gente do lado de fora.

Um bom palco, no interior
São Paulo é o centro das grandes casas de shows que, apesar do nome que carregam, nem sempre valorizam a qualidade do som produzido pelos artistas. Já assisti a muitas apresentações prejudicadas pela estrutura do local que as abrigou. Um bom lugar para assistir shows de menor porte é o Galpão Busca Vida que, além de oferecer a saborosa pinga fabricada pela própria casa, mantém uma programação descolada e permite ao sempre interessante público presente estar bem próximo dos músicos. A menos de 100 Km da capital, na cidade de Bragança Paulista, o Busca (como é mais conhecido localmente) recebeu neste ano Nação Zumbi, Lô Borges, Arnaldo Antunes, entre outros.

No morro sem samba
Ainda é uma excelente opção de balada no Rio de Janeiro os shows do Projeto Noites Cariocas, que acontecem nos finais-de-semana, no alto do Morro da Urca.
Estive lá recentemente num show do Capital Inicial que, apesar de não mostrar novidade alguma, gostei bastante, porque o local tornou a apresentação mais vibrante, tanto pela informalidade (o local também é pequeno), quanto pela vista incrível que se tem da cidade, deixa o ambiente cheio de boas energias. Também é possível ver gente bonita e ficar um pouco distante da violência da capital carioca.

Friday, December 22, 2006

Fim de ano corrido, mais uma vez e, por isso, tive muito pouco tempo para me dedicar a este espaço que criei recentemente para depositar os meus textos, afinal, esta é uma prática da qual eu gosto muito. Para os amigos que estão passando por aqui, vai a minha mensagem que encerra este 2006 de muita reflexão, aprendizado e a promessa de muito mais pulguinhas atrás da orelha botando a caixola para funcionar.

Aos que há muito tempo não vejo e aqueles que estão por perto de vez em quando; aos que moram longe e que poucas oportunidades temos de nos ver; aos bem próximos, quase colados; aos bem chegados, muito íntimos; aos queridos, pentelhos, engraçados, tímidos, companheiros, desligados, grudentos, carinhosos, folgados, impacientes, felizes, briguentos, confusos, quebrados, individados, ricos, casados, solteiros, bem-empregados e sem-emprego, preguiçosos, ansiosos e estressados, a todos, o mesmo desejo meu de ver cada um ainda mais feliz, realizado, satisfeito, cheio de saúde, de grandes oportunidades e em paz. Sempre.

Muito descanso a quem fica,
sol e lençol geladinho a quem viaja.
Bom Natal e um ano novo ainda melhor.


Merry Christmas / I don't wanna fight tonight!

Wednesday, December 13, 2006

Estou lendo...

Reações Psicóticas, Lester Bangs, 2005

O jornalista americano e crítico de rock, que passou por grandes publicações do gênero, como Rolling Stone e Creem, conhecido por sua boca suja e frases malditas, teve alguns de seus melhores artigos compilados num livro bom, enxuto e divertido. Explicarei.

Em 130 pequenas páginas, é possível conhecer um pouco do estilo ousado e até mesmo bizarro deste, que é considerado um dos maiores críticos do rock de todos os tempos. Seu jornalismo gonzo supera o próprio pioneiro Hunter S. Thompson, na arte de usar a excentricidade e a opinião pessoal para descrever as mais diversas experiências vividas. Das mais simples, como ouvir um disco ou apreciar um show, até mesmo as mais improváveis, como ir para o Vietnã com o intuito de discutir música com o governante daquele país.

E mais, no livro ganha-se um presente: a descrição mais brilhante e perfeita de Iggy Pop e seu trabalho. É algo tão rico em detalhes, comparações e adjetivos que ganharia mais que um único capítulo. Senti isso porque tive a oportunidade de assistir ao histórico show dos Stooges no Festival Claro que É Rock, em dezembro do ano passado, e não descreveria o show de outra forma.

Outra passagem muito preciosa é a reprodução de uma entrevista com Lou Reed em que ambos se atacam, discutem sobre David Bowie, drogas e música. Imperdível!

Há momentos em que se concorda e ri de tudo o que ele diz e outros, em que dá vontade de rasgar o livro. Mas a indiferença é algo que este livro não provoca. Vale a pena ler e deixar a pulguinha ficar ali coçando.

Friday, December 08, 2006

Precisa-se de campainha para celular


Se eu fosse o James Brown ficaria incomodado (para não dizer enfurecido) em ver a minha música virar toque de celular de milhares de pessoas por todo o mundo.

Realmente, no começo, é tudo muito legal! Poxa, com tanta tecnologia é possível baixar músicas através de algum site (alguns muito solidários, por sinal) ou então, “emprestar” do iTunes do vizinho, editar, disponibilizar de diversas formas o som que eu mais gosto - ou gostava – no meu celular moderno e ouvi-lo todas as vezes em que alguém me ligar. Todas. Todinhas. Tá bom, dá pra ser só em algumas, mas eu não consegui essa proeza.

O fato é que eu caí na tentação de utilizar uma música do meu agrado como toque para as chamadas recebidas pelo meu telefone móvel e, agora, estou a ponto de atirá-lo contra um muro de concreto todas as vezes que ele toca: “Uhaaaaaaaaaaa, I feel good!”. Não só eu, é claro, como todas as outras pessoas que trabalham próximas a mim.

E desde então percebo o quanto esta mesma tecnologia que nos permite transformar toda a nossa prateleira de CDs em pequenos arquivos - transportáveis em qualquer quantidade e para qualquer lugar do mundo - pode ser danosa. Basta acompanhar o raciocínio: imagine a mesma música tocando, no mínimo 10 vezes por dia (no meu caso, pelo menos), sempre quando alguém quer falar com você, sejam os amigos, seja a família preocupada, ou o chefe cobrando o algo, ou então o banco avisando que o seu cheque especial foi pelos ares, ou ainda, aquela pessoa que você não quer atender de forma alguma, te ligando incessantemente, às vezes nos horários mais inconvenientes.

Isso sem contar que a música só é legal e bem-vinda quando a ligação é de alguém querido e, principalmente, quando você não está surtando de tanto trabalho e não há nenhum chato tentando falar com você. Nesses dois casos a música fica tão chata quanto.

E hoje, com tantas possibilidades tecnológicas à disposição de mentes cada vez mais brilhantes, tornou-se impossível controlar a propagação não só da música, como de qualquer outro tipo de mensagem, como clipes, músicas, filmes e até produções caseiras.

Porém, não cabe aqui uma discussão muito extensa e tão pouco criar uma polêmica para o assunto em questão. É conversa para boteco, roda de amigos, porque ninguém aqui acha ruim toda essa acelerada modernidade. Além do que seria muito pretensioso querer discutir a postura das operadoras de celulares, pois nem elas, nem gravadoras, nem músicos estão preparados para apontar o que deve ser proibido e o que deve ser permitido. Estão todos a favor da evolução dos meios, de atrair consumidores e aumentar seus lucros e de experimentar o sabor de ser cada vez mais diferente dos demais, até mesmo no toque do seu celular.

Aliás, é até normal cansar-se de alguma coisa de que se gosta muito. Afinal, quantas vezes você já não ouviu aquela música daquele disco daquela sua banda preferida e, depois de tanto ouvir, passou no mínimo seis meses sem sequer tocar no pobre CD? Ou então, quantas vezes você não foi um dos primeiros a descobrir finalmente um som novo e ousado que depois caiu no gosto popular, tocou em todas as rádios e foi TOP 10 na MTV durante umas três semanas?

Caro mestre James Brown, é claro que você continuará sendo uma das melhores coisas que já ouvi, mas infelizmente, para seu próprio bem, terei que ficar longe de você algum tempo.

Amigos, aceito ringtones e toques polifônicos comuns, que imitem no máximo o despertador do meu quarto!

Tuesday, December 05, 2006

Bancando a crítica*

Gostei muito de um filme que assisti nesta semana e queria dividir com quem gosta de filminho com pipoca como eu.

Observem, gosto. Sou uma admiradora, não necessariamente – alías, bem longe – de ser uma excelente entendedora. E por isso, hoje vou bancar ua de crítica, falando bem simples, para quem também não está muito preocupado com o que o Rubens Ewald Filho achou do filme.

“Obrigada por fumar”, Thank you for smoking, do Diretor Jason Reitman, foi o filme que me trouxe aqui. Descontraído, mostra em seus 92 minutos o dia-a-dia de um profissional que prática a arte (para mim é) do lobby.

Aaron Eckhart (O Pagamento e Um Domingo Qualquer) é Nick Naylor, o principal porta-voz de uma associação formada por grandes fabricantes de tabaco, que faz de tudo para defender a comercialização de cigarros. Apesar da causa polêmica, ele utiliza vários e inteligentes recursos para evitar que vigilantes da saúde consigam prejudicar as vendas do produto. Tudo isso, ao mesmo em que estimula seu filho a fazer reflexões sobre ética e valores morais.

Não chega a existir uma discussão sobre o que é certo ou errado sobre o tema proposto, pois o personagem não sofre deste conflito. Ele sabe muito bem qual deve ser o seu papel e, por mais que possa haver alguma contradição entre o que ele faz e pensa para a sua vida, Eckhart justifica sua atuação como a única forma que encontrou para pagar suas contas. Ele chega a se comparar com outros nomes da sociedade conhecidos pela precisão com que executam suas atividades (“Jordan plays basket. Manson kills people. I speak.”).

Mas o que definitivamente conquistou minha atenção foi a aula de estratégia que tive durante a sessão de cinema. Não sobrou saudade dos tempos em que eu achava que aprendia alguma coisa na faculdade. É o profissional de comunicação em sua melhor forma, otimizando todas as ferramentas a seu favor. Convencendo a sociedade (excelente!), negociando com grandes chefões da indústria do tabaco e donos de hollywood, depondo na justiça e driblando repórteres espertinhos (eu e todos os assessores de imprensa adoramos!), ele mostra como é possível reverter o jogo quando só se espera o pior fim para ele. E que um pouquinho de malandragem não faz tão mal assim.

Eu, que O-D-E-I-O cigarro, quase saí de lá fumando.

*Obs: Este blog é meu então eu tenho todo o direito de colocar um texto de setembro de 2006 :P. Também foi publicado no www.churrascogrego.com.br .

Não coloque o meu iTunes no divã*

Por favor, não tente me julgar pelo que se pode encontrar no meu iTunes. Digamos que o meu baú de música mp3 é bem eclético (tá bom, pode chamar de confuso) e atemporal.

Isso porque ‘ele’, ao mesmo tempo, agrada e desagrada aos meus amigos e colegas de trabalho (sim, onde eu trabalho, através da rede, podemos compartilhar os iTunes entre a galera que libera, é claro).

Digamos que ‘nele’ tem um pouco de tudo, que vai do rock n’roll ao rock alternativo, até o que de mais alternativo os músicos brasileiros já fizeram, na MINHA opinião, ao embalo do samba que sai do alto do morro. Portanto, se você tentar compreender a minha personalidade através de uma análise do meu gosto musical vai perder o fio da meada.

Por isso, a pretensão aqui é meramente sugerir bons sons aos ouvidos de quem é movido à música e tem sempre um fone coladinho à orelha:

*Tear You Apart – She Wants Revenge/She Wants Revenge: eu não sou a maior fã de novas bandas e demora mais ou menos até o segundo ou terceiro álbum para me convencer a ouvir o som. E foi o que aconteceu. Um amigo meu me mandou essa música em abril e agora esse som não sai do ‘My Top Rated’. É dançante, é Joy Division, Depeche Mode e Placebo num vinil só! Revival moderninho.

*Bom Senso – Tim Maia/Racional Vol 1: pode parecer que eu estou atrasada nessa moda “revival” que toma conta das baladas do eixo Rio-SP, mas não é isso não. Música boa não tem época. Essa, além de boa, é engraçada! Já se imaginou na situação do nosso amigo síndico? Doideira black music.

*Auto Pilot – Queens of The Stone Age/Rated R: É explosivo o encontro entre Joshua Home e Mark Lanegan. Ambos são donos de vozes potentes e refrões ácidos, tudo regado à muitos cigarros e álcool (em algumas músicas é até possível ouvir o acender de fósforos). A sugestão aí é repleta de rifles rasgados e coros de arrepiar. Remanescentes do grunge adulto com pitadas do veneno rock.

*The Great Salt Lake – Band of Horses/Everything All The Time: Quem não gosta de músicas bonitinhas (ou seriam melancólicas)? Sigo a teoria de que alguma vez na vida todo mundo já gostou de R.E.M, ColdPlay, Damien Rice, Ryan Adams e tantos outros... Detalhe, se para você, ser de Seatle significa coisa boa, está dada a dica. Mas lembre-se, nem tudo o que vem de lá é grunge, embora o selo desta banda de dois caras seja o Sub Pop, que lançou Nirvana, Soundgarden e cia. Acabei de descobrir os caras e, me contradizendo, aí está mais uma novidade.

*Mas, que nada – Jorge Ben/Samba Esquema Novo: Após o “disco-gênio”, que para mim é a raridade “A Tábua de Esmeralda”, esse é o mais delicioso álbum que o mestre do gingado já lançou, e essa é a música que inicia a meia-hora do mais puro samba de gafieira. Impossível não querer dançar. Impossível não arrancar um passinho do seu amigo mais mal-humorado.

*Hoje, Amanhã e Depois – Nação Zumbi/Futura: Eu nunca canso de me surpreender com a vibração que provocam todos aqueles tambores e guitarras vindas do mangue. Acho que é o último filho da tropicália, que conseguiu de um modo original misturar ritmos brasileiros e pegada rock, sem ofender os ouvidos e mostrando que Pernambuco vai muito além dos bonecos de Olinda.

*I need peace – Frank Black/Frank Black and The Catholics: Black Francis para os mais íntimos do Pixies, em sua outra banda faz rock de qualidade, sem deixar a veia altenativa de lado. Bem menos rebelde que o Pixies, talvez tenha acompanhado a maturidade do seu público dos anos 80/90.

* Warlocks - Red Hot Chilli Peppers/Stadium Arcadium: Com certeza o RHCP perdeu muito em deixar de lado a sua pulsação “funkmetal”, ao produzir som balada-comercial, que nasceu após o sucesso de “Blood Sugar Sex Magic”, com “One Hot Minute”, “Callifornication” e “By The Way”. Mas este é um dos meus quartetos fantásticos prediletos e acho que Flea e John Frusciante são músicos cada vez melhores.

* Eu sou favela – Bezerra da Silva/Box Bezerra da Silva: Ele foi o bamba, o malandro do samba. Dono de crítica feroz, fazia samba-protesto com coração, sem deixar as dificuldades da vida no morro apagar a sua alegria e o seu ritmo. Vale a pena ouvir, para saber com quantos pandeiros se faz uma reivindicação.

*Down – Pearl Jam/Lost Dogs: Assim como as demais letras da banda, sobrevivente única da onda grunge dos anos 90, esta também não faz muito sentido, porém, tem ritmo e aquele jeito particular que só Eddie Vedder tem para cantar. Ela só está presente no album duplo “Lost Dogs”, assim como tantas outras músicas lado B do quinteto de Seatle.

*Substitute – Ramones/Acid Eaters: Essa versão do The Who na voz de Joey Ramone e sua trupe é simplesmente, ou melhor, completamente perfeita!!! É um clássico no ‘My Top Rated’. Não tem jeito, não dá, não quero, não vou, não gosto... transformou um rock n’roll num punk rock desde criancinha!!



*Obs: este texto é de julho de 2006 e foi publicado pelo site www.churrascogrego.com.br. Como foi meu primeiro texto publicado neste ano, acho que não poderia ficar de fora.